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As distorções criadas pelas cotas

Estudantes em noite de formatura.

Alunos que não tem o conhecimento necessário conseguem pontuação no vestibular baseada em questões sociais.

Foto: Tulane Public Relations

Ontem peguei meu filho na Unb. Ele entrou no carro e disse:

Pai, não tem jeito. Entrei aqui centro-direita mas tô achando que sou 100% direita.

 

Confesso que, de imediato, fiquei feliz; mas na sequência da satisfação veio o pesar de ver um aluno novato (2º semestre) já se decepcionando com alguns aspectos da universidade.

A UnB está passando, já há alguns anos, por um processo de destruição causado pelo “esquerdismo latino-americano”. Coloco as aspas porque o movimento político e social que temos na América Latina se difere do que se vê nos países que ainda insistem em alcançar o sucesso pela esquerda. Aqui não temos apenas o autoritarismo clássico da esquerda; temos aqui o prazer do militante em defender toda e qualquer atrocidade moral e social praticada por seus líderes.

Dentro da universidade esse extremismo tem gerado um abismo localizado exatamente no centro do posicionamento político dos estudantes. Os alunos estão sendo empurrados para os extremos em uma época onde não basta ter opinião, é preciso militar. Com isso vemos declarações como a deste jovem universitário que tão cedo abriu mão do provérbio “Os extremos são vícios. No meio deles é que está a virtude”.

 

Meu filho está dando aula particular, ainda no 1º Semestre se destacou nas aulas de Cálculo 1. Não está dando conta da quantidade de alunos querendo aulas de reforço. Ele me fala sobre as aulas que tem dado e são muitas as vezes em que me diz que o aluno não tem conhecimento de matemática básica. Essa percepção vai muito além da de um calouro. Muitos alunos e professores reclamam do baixo nível de conhecimento básico na sala de aula.

A rejeição à política de cotas só cresce.

 

Não foi o advento das cotas que trouxe o aluno despreparado para a universidade pública. As cotas apenas aumentaram a distorção. O sistema de pontuação utilizado no vestibular é bizarro. Enquanto um candidato que não está concorrendo por cotas tem que fazer 450 pontos, um cotista entra com 250 pontos.

Essa distorção logo no acesso à universidade gera uma cisão natural entre a classe. Alunos que passaram com alta pontuação e alunos que passaram com baixa pontuação. E pontuação aqui é conhecimento.

Ou seja, alunos que não tem o conhecimento necessário conseguem pontuação baseada em questões sociais. Mas, na hora da prova, as cotas não contam ponto. Na hora de ir pro mercado de trabalho as cotas não convencem o entrevistador.

Para corrigir esses problemas, o governo criou outras distorções:

  • Cotas para professores. A ideia é ter professor cotista para atender aluno cotista.
  • Cotas no serviço público. Aluno entra na universidade com pontuação baixa e precisa também de concurso público que aceite pontuação baixa.

A ironia: é justamente no capitalismo selvagem onde temos hoje o lugar mais democrático e justo, lá sua cor de pele e classe social não importam, apenas sua capacidade.

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