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Onde estamos, hoje

Em toda nossa história, sempre que alta carga tributária se uniu a crise econômica o resultado foi o mesmo: revolta

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

A História do Brasil é feita de ciclos que se repetem de forma bem teimosa. Economia baseada em commodities: do açúcar ao café, do pau Brasil ao ouro; resistência a modernidade: das cidades com o mínimo de urbanismo possível à resistência em abandonar a escravidão (sendo um dos últimos países a proibir tal prática); política sem participação popular: do Império aos governos antidemocráticos de Getúlio e dos militares; exploração econômica baseada em tributos: da alta taxação do sal no séc. XVIII ao preço exorbitante da gasolina hoje.

 

Um outro ciclo também pode ser observado em nossa História, revoltas populares. Em 1684 o Brasil viveu o episódio da Revolta dos Irmãos Beckman, quando os irmãos Tomás e Manuel juntaram um grupo de 68 homens e se levantaram contra o governo do Maranhão, que monopolizava o comércio e, assim, estrangulava os comerciantes da região. Em 1710 ocorreu a Revolta do Sal, ocasião em que um proprietário de terras formou um pequeno exército e investiu contra o monopólio do comércio do Sal, artigo de primeira necessidade à época pois servia de alimento para o gado e também para a conservação de alimento por toda a população. Esses dois episódios são exemplos menores de uma grande lista conhecida por todo brasileiro que já estudou a História do Brasil no ensino primário.

Porém uma característica une todas as revoltas e guerras de nossa história. Da Inconfidência Mineira à Guerra dos Mascates, da Conjuração Baiana à Sabinada… todos os eventos ocorreram por insatisfação popular para com a alta carga de impostos acompanhada de má prestação de serviços públicos.

Essa lição é vital para que tenhamos segurança em nosso país. A população não consegue conviver por muito tempo com um governo inapto e guloso. E é onde estamos, hoje.

No momento em que escrevo este texto ocorre no TSE o julgamento da chapa Dilma-Temer. Se desenha um cenário [literalmente] bizarro. Quatro ministros do TSE tendem a absolver a chapa pois consideram que Caixa 2 é uma questão restrita a “crime eleitoral” e, assim, não é grande o bastante para gerar “instabilidade política” ao afastar um Presidente da República.

O Poder Executivo está desmoralizado há séculos. O Poder Legislativo já nasceu desmoralizado no Brasil. Restava, por parte da população, respeito apenas pelo Poder Judiciário, aquele que não se discute, se obedece. Esse respeito acabou.

O episódio onde o então Presidente do Senado, Renan Calheiros, deu um chá de cadeira em um oficial de justiça e, ao fim, acabou por não receber sua intimação foi um marco em nossa história. Se apagou a aura da Justiça.

Juntou-se a esse episódio medonho o fatiamento do impeachment de Dilma Roussef, a negativa em prender Renan Calheiros, a liberdade (inacreditável!) de Guido Mantega, a fuga de Joesley Batista organizada pela PGR e agora o fechar d’olhos para a campanha de 2014 que foi feita totalmente com dinheiro de propina.

E a carga tributária do cidadão que assiste o julgamento do TSE é de 33%.

Os 3 Poderes da República estão ignorando que vivemos o cenário perfeito para uma revolta. A população não aguenta mais viver sob o julgo de uma República antropófaga, um Estado que se alimenta da carne de seu próprio povo.

Ouço a cada dia mais pessoas pedindo por Intervenção Militar. Ouço a cada dia mais pessoas pedindo pelo fim do Congresso. Fora Todos. Constituinte. Diretas. Qualquer coisa mas alguma coisa por favor.

É preciso atenção pois onde estamos, hoje, é à beira do abismo.

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