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[in]Certezas de um governo em crise

Diante de incertezas o cidadão não deve depositar confiança incondicional e sim a dúvida incisiva.

Foto: Marcos Corrêa/PR

No início deste mês se propagou na internet um boato que dizia ser questão de dias a demissão de Maria Silvia Bastos, presidente do BNDES. Eu mesmo falei sobre o assunto no Twitter, ou seja, ajudei a espalhar o boato.

No mesmo dia em que dei a “notícia” no microblog fui informado por um assessor de comunicação da Presidência de que aquela informação não era mais que um boato, e que o próprio Presidente da República já tinha dito no Planalto que Maria Silvia não seria demitida de forma alguma.

Porém…

Dentre tantas idas e vindas que o governo Temer tem enfrentado, as demissões e até mesmo as “contratações” já conseguiram lhe roubar toda a firmeza que a população brasileira lhe deu (ou dele recebeu) quando do pronunciamento oficial de posse. Naquele momento a firmeza nas palavras, a convicção na decisão de fazer um governo de transição e a escalação de um time de ponta para ‘tocar a economia’, tudo isso fez com que a população visse no novo presidente alguém firme. Mas essa firmeza foi se dissipando quando o presidente decidiu extinguir o Ministério da Cultura, e logo depois voltou atrás; episódio seguido pela declaração de que não demitiria o Geddel… que não durou no cargo; seguido pela proposta de reforma da previdência… que a cada dia se torna mais inócua com diversas categorias entrando no regime especial.

O que devemos fazer quando se tem um governo assim?

Duvidar.

Nessas horas não há comportamento cívico melhor do que duvidar. Não dar crédito às autoridades e exigir previamente que as decisões que venham a ser tomadas sejam as melhores para a sociedade. Não há, para o governo, comportamento social mais confortável do que a confiança, é a zona de conforto de um político.

Quem nos garante que Maria Silvia não estava mesmo “na fritura”? Quem nos garante que, sem a desconfiança (e cobrança) popular o infame Geddel não estaria até hoje negociando favores pessoais na Esplanada?

Espalhar boatos nas redes não é comportamento digno, nem mesmo eficaz. Porém desconfiar e exigir bom-senso nas tomadas de decisão é nosso dever, é nossa arma para evitar que presidentes indecisos precisem rever decisões que até mesmo nós, mortais, sabemos que são um tiro no pé.

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