Eleições Diretas ou Indiretas? – politicas.info
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Eleições Diretas ou Indiretas?

Sempre que políticos solicitam a opinião popular é porque já sabem a resposta que querem ouvir.

Veremos nos próximos dias um duelo desesperado no Congresso, de um lado os congressistas que desejam seguir o que já está estabelecido na Constituição em caso de vacância do cargo de Presidente da República:

§ 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.

Constituição Federal de 1988, Art. 80

…do outro lado veremos os congressistas que, cientes de que um ‘reset’ está para acontecer na política brasileira, farão de tudo para emplacar a proposta de Eleições Diretas.

A ideia de “Diretas Já!” tem um apelo sensacional pois traz à memória um dos momentos históricos de nosso país onde o povo conquistou uma vitória democrática, épica. É agradável também porque tem um quê de democrática, todo poder emana do povo e é o povo quem deve escolher nas urnas. Porém, como sempre se viu em nossa história desde o Código Eleitoral de 1932, quando os políticos recorrem ao povo é porque precisam de um cheque em branco.

Foi assim em 1981 quando os constituintes estudaram a constituição norte-americana, a constituição suíça e a argentina mas, no final, para manter a população brasileira ainda sob o domínio das oligarquias regionais optaram pelo Federalismo. Foi assim quando Vargas assumiu o poder através de um golpe e criou dois anos depois a Justiça Eleitoral, dando uma sensação de democracia à nação mas, pouco tempo depois, extinguiu essa Justiça e estabeleceu o Estado Novo. Foi assim quando perguntaram à nação se era da vontade do povo permitir o posse de armas mas, mesmo tendo uma resposta positiva decidiram restringir o porte; enfim, quando um político brasileiro recorre ao povo, pode saber… querem autorização pra fazer lambança.

E qual é a lambança que eles querem fazer com Eleições Diretas? Fugir da Lava-Jato.

Eleições Diretas é uma proposta que nasceu no Partido dos Trabalhadores durante o processo de impeachment de Dilma Roussef. É uma proposta que tem como principal objetivo colocar um político que não tem foro privilegiado no poder: Luis Inácio Lula da Silva (o “Chefe” na planilha da Odebrecht).

O objetivo secundário é criar uma sensação de democracia restabelecida. Um cenário onde o povo, através do sufrágio universal, escolhe quem é digno da confiança nacional. Todos os que se elegerem poderão estufar o peito e dizer de boca cheia “o povo me escolheu”.

Esse cenário colocaria Brasília em paz. Uma paz falsa, uma maquiagem de estabilidade… porém é justamente essa paz que até mesmo o STF busca há anos. Paz social. Pacificação (para usar o termo-chave do pronunciamento de posse de Michel Temer).

Eleições Indiretas é o caminho constitucional a ser seguido. O Congresso elege, debaixo da proteção da Constituição, um presidente para tocar o país até 2018; a Lava-Jato continua seu trabalho de separar o joio do trigo; as reformas seguem o curso que já estão percorrendo; a equipe econômica dá continuidade ao primoroso trabalho que tem feito; o desemprego continua caindo e os juros baixando; e, ano que vem, o povo vai às urnas dar início ao próximo capítulo de nossa história.

Eleições Diretas é a chave para mudar tudo e continuar tudo como está. É a chance de blindar todos os políticos que estão na mira da Lava-Jato – e nem falo aqui sobre a infame proposta de lista fechada. Eleições Diretas é a senha para colocar Lula na presidência da república e tornar a prisão dos novos eleitos uma afronta para com o voto popular.

Não nos enganemos, não há salvação para o Brasil fora da Operação Lava-Jato. Qualquer outra solução proposta é, na verdade, um plano de fuga.

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