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Quem não está pronto para um presidente negro?

O Brasil está sim, pronto para ter um presidente negro mas… e o PT, está?

Foto: Carlos Humberto/ SCO/ STF

“Será que o Brasil está pronto para ter um presidente negro?”, disse o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal a artistas reunidos na casa de Caetano Veloso, essa semana.

A pergunta não é nova, foi feita durante toda a primeira campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos. É uma daquelas questões que, à primeira análise, soam como filosóficas mas, em menos de dois minutos de ponderação o interlocutor já está rindo do quão ridículo é esse questionamento.

Em primeiro lugar, a sociedade nunca está pronta para uma quebra de paradigma, e é justamente esse o motivo de existirem os paradigmas: o costume. Se a sociedade estivesse pronta então a mudança não se faria necessária (nem possível).

Em segundo lugar, a argumentação de que a sociedade não está pronta para lideranças de etnias não-brancas já caiu por terra há anos, só os progressistas e socialistas latino-americanos não perceberam. O próprio Joaquim Barbosa foi ministro da mais alta corte de justiça deste país, foi presidente dessa corte e liderou o maior julgamento da história do judiciário brasileiro, o Mensalão – e foi louvado pelo trabalho que fez, idolatrado até. A nação mais poderosa do mundo foi liderada por oito anos por Barack Obama, um homem negro casado com uma mulher negra. Ambos louvados e admirados mundialmente. Pessoas de todas as nacionalidades celebram Usain Bolt como um líder esportivo e Stevie Wonder como um dos maiores músicos ainda em atividade. Os Estados Unidos teve, sob a presidência de Obama uma Secretária de Justiça também negra, Loretta Lynch. E um detalhe estrondoso, nenhum desses líderes foi questionado pela sociedade com relação à cor de sua pele. Só a esquerda falou nisso.

A história moderna deixa claro, a única parcela da sociedade que não está pronta para lidar com quebra de paradigmas é a esquerda. É o grupo que não admite o fim da categorização de pessoas pela cor da pele, não admite que aspectos culturais sejam patrimônio de toda a humanidade, e sim patrimônio de etnias específicas. Essa parcela da sociedade, sob o pretexto de defender a igualdade, perpetua a luta de classes.

A pergunta do ex-ministro Joaquim Barbosa é pura e simplesmente uma estratégia política. Ele já está se reunindo há um bom tempo com a classe artística brasileira, a mesma classe que em 1989 fez o “coro dos artistas” e cantou o “Lula-lá”. Uma reunião na casa de Caetano Veloso é mais claro do que uma reunião na casa de um senador petista. Joaquim Barbosa já é candidato pela esquerda e já entrou na guerra para angariar o voto de classes, e começou pelos eleitores negros.

Em último lugar é preciso lembrar que, à semelhança dos Estados Unidos, o Brasil também quebrou um grande paradigma na última década, ao eleger a primeira presidente mulher da história do país. E o resultado foi devastador, não apenas para a Economia e a Política como também para as próprias causas femininas. Dilma Rousseff abriu guerra até mesmo contra a língua portuguesa, cunhando o termo “presidenta” para o cargo que ocupava. A dificuldade em entender que o século XIX já acabou é hercúlea para os progressistas.

O Brasil está pronto sim para ter um presidente negro, resta saber se a esquerda está pronta para um mundo onde os maus políticos são criticados, inclusive os políticos negros. De outra forma, a eleição de Joaquim Barbosa será a fagulha que o progressismo precisa para iniciar uma guerra racial no Brasil.

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