O espírito social – politicas.info
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O espírito social

A esquerda transforma seus militantes em fiéis que lutam unicamente pelo desenvolvimento do próprio grupo.

Foto Lula Marques/AGPT

Na semana que se passou, em uma reunião na escola da minha filha eu conheci mais uma pessoa dentre tantas outras que, embrenhadas da vontade de viver em uma sociedade mais justa, se alinham à esquerda política como única via possível.

O professor da minha filha é um profissional muito bom, gosta das crianças e dá aulas com conteúdo inteligente. Minha filha o adora. Eu também o adoro, claro. Ele é o típico universitário socialista, cabelo comprido, roupa surrada, barba… e a vontade de ver a classe mais pobre da sociedade tendo oportunidades e ferramentas para vencer na vida.

Infelizmente a propaganda política da esquerda é um engodo. É apenas uma isca que atrai os bem intencionados e depois os transforma em militantes de uma causa que visa beneficiar apenas seus líderes.

Seria excelente termos uma linha política que utiliza todos os meios – legais e democráticos – para beneficiar a parcela mais pobre da sociedade ao invés de distribuir privilégios a quem já venceu na vida. Porém essa linha não existe na prática política, só na propaganda. E é aí que o professor da minha filha se vê praticando exatamente o oposto do que é necessário para ajudar os mais pobres. Ele é grevista.

Em quatro meses de ano letivo ele já acumulou mais de 30 dias de greve. Professor do ensino fundamental, responsável pela educação de crianças de nove e dez anos, grevista. Professor de escola pública, onde crianças que precisam adquirir conhecimento ficam, em boa parte do tempo, apenas brincando pois o professor faltou.

A reunião na escola foi marcada pela coordenadora porque, na segunda-feira, alguns alunos fizeram (de brincadeira?) um protesto na hora do recreio pedindo #ForaProfessorGrevista. O professor, na volta do recreio, disse a esses alunos que eles são muito inocentes e não devem brincar com coisa séria pois, as greves das quais ele participa são em favor dos direitos dos mais pobres, ou seja, é pelo bem dos próprios alunos.

Eu tento sempre manter diálogos abertos, me nego a torcer o nariz pra alguém só por discordar de mim. Converso com o professor da minha filha, falo pra ele que não concordo com a postura dele mas que, mesmo assim, ele está de parabéns pela capacidade docente que tem. Mas sempre deixo claro que sou absolutamente contrário a greve de professores. Educar é uma tarefa vital ao desenvolvimento humano. Se a categoria quer melhores condições de trabalho então que cobre de seu sindicato uma maior representatividade e efetividade, afinal, o Sinpro é um dos sindicatos mais fortes deste país de 16 mil sindicatos.

E assim segue o jogo da política de esquerda. Vende a ideia de que é defensora do social, e quando chega ao poder se torna algoz da sociedade. O professor que faz concurso da Fundação Educacional e, depois que assume, faz greve. O sindicato que elege seu corpo organizacional mas, ao invés de utilizar seus funcionários para pressionar os governos, utiliza os professores.

A defesa dos mais pobres não pode ser um fim em si mesmo, deve ser um objetivo que guia a cada um de nós que luta por um Brasil melhor.

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