O brasileiro e o amor pelos benefícios – politicas.info
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O brasileiro e o amor pelos benefícios

O brasileiro precisa entender que a liberdade é o maior dos direitos adquiridos.

Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O Brasil está com 13 milhões de desempregados. O emprego sem carteira assinada aumentou em 2% e, mesmo assim, é comum encontrar pessoas com a opinião de que, o maior valor de um emprego são os benefícios sociais que ele te dá, e não o salário que ele te proporciona.

O brasileiro comprou a imagem que Getúlio passou em 1942, momento em que o Brasil apontava para um crescimento expressivo com criação de incontáveis postos de trabalho. Urgia regular os benefícios dados ao trabalhador e, no país onde tudo precisa ser regulado pelo Estado, o medo de que os benefícios trabalhistas prejudicassem o plano desenvolvimentista levou Getúlio a consolidar as leis do trabalho. Foi paixão à primeira vista. O Brasileiro casou e jurou fidelidade eterna à CLT.

Essa paixão louca que o brasileiro tem pela CLT se dá primeiramente pela natureza dependente de nosso povo. Temos a cultura de que precisamos ser protegidos, de que estamos constantemente sendo explorados e que, por isso, precisamos de alguém para defender nossos interesses. Esse é o conceito que impede a popularidade de qualquer ideia liberal no Brasil. De outra parte, a CLT seduz o brasileiro porque, desde tempos imperiais o trabalhador brasileiro recebe benefícios como pagamento. Já recebemos moradia, terras para plantio, parte da produção e até mesmo o almoço e a janta como pagamento pelo trabalho. O brasileiro não quer receber dinheiro para aplicar onde quer. O brasileiro quer benefícios.

Férias remuneradas, 13º salário, duas horas de almoço, auxílio-transporte, vale-refeição, plano de saúde… dezenas de vantagens tentadoras em anúncios de emprego nas páginas dos classificados, mal sabe o trabalhador comum que todos esses benefícios são comprados pelas empresas com o dinheiro do salário do próprio trabalhador. E o brasileiro ama, o brasileiro adora (teologicamente, inclusive) a ideia de ganhar um plano de saúde ao invés de receber dinheiro para, ele mesmo, escolher a operadora e aderir ao plano de saúde de sua preferência. Melhor do que ter dinheiro pra pagar a passagem do ônibus é ganhar um vale-transporte do patrão.

E assim, em um país onde quase 15% da população potencialmente ativa está desempregada, o país prefere ver uma vaga de trabalho sendo extinta do que vê-la ocupada por alguém que queira trabalhar “apenas por dinheiro”. Quem trabalha por dinheiro é escravo, cidadão livre trabalha é por direitos adquiridos.

O Brasil, se quiser se tornar uma potência desenvolvimentista precisará, antes de tudo, perder o medo do trabalho. Precisa largar a mão do Estado e aprender a caminhar com as próprias pernas. Trabalhar e adquirir o que quiser, da forma que quiser, com dinheiro, e não enfrentando a fila do saque do FGTS ou esperando a boa vontade do SUS.

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