Em livro, autor põe a liberdade de expressão à prova ao simplesmente matar Luiz Inácio – politicas.info
Resenha

Em livro, autor põe a liberdade de expressão à prova ao simplesmente matar Luiz Inácio

“Sim, ele mesmo.”

Screenshot: Livro

Vinte dias antes de Fernando Collor de Mello ser afastado da Presidência da República, uma gravação demo despontava como a mais tocada na RPC FM, do Rio de Janeiro. No refrão, Gabriel, O Pensador não se cansava de repetir que estava feliz. Motivo? “Matei o presidente“.

Sim, a gravação seria censurada pelo ministro da Justiça, mas isso apenas rendeu mais visibilidade ao artista, que, após entrevistas aos principais veículos da imprensa, lançou um álbum com outros nove refrões recheados do mais ácido humor.

Paulo Polzonoff Jr explicita a inspiração já na quinta página de “O HOMEM QUE MATOU LUIZ INÁCIO”, pouco antes de confessar se sentir ridículo por precisar explicar que os parágrafos seguintes não passavam de uma obra de ficção – ou de uma “deliciosa mentira“.

Porque Polzonoff, na pele de Ernesto Unslovt, troca um melancólico suicídio por uma caça a Luiz Inácio. “Sim, ele mesmo. Aquele que você tantas vezes pensou que merecia um tiro na testa.” Para tanto, embala um roteiro tarantinesco numa locução de comercial de margarina. O resultado é a provocação cínica que a liberdade de expressão vem precisando para manter-se viva.

Numa época em que o discurso politicamente correto assume tons ditatoriais, só a certeza de que o texto ainda não reverberou o suficiente explica o porquê de o autor ainda não ter sido chamado a se explicar às autoridades. Pois a violência descrita por Polzonoff é explícita, sádica e – por que não? – revigorante.

O autor escreve para o brasileiro que foi às ruas pedir o impeachment de Dilma Rousseff. Quer se divertir com ele. E consegue. Tanto que a leitura flui e o livro se conclui em sentada única.

Se, na vida real, ainda há dúvida sobre o destino de Luiz Inácio, na ficção, essa deliciosa mentira, Polzonoff está feliz. Afinal, matou o presidente.

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