O caixa 2 pode não ser o pior dos crimes apurados pela Lava Jato, mas é o pai de todos eles – politicas.info
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O caixa 2 pode não ser o pior dos crimes apurados pela Lava Jato, mas é o pai de todos eles

O “caixa 2” é a origem da ruína democrática brasileira e precisa ser combatido seriamente

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Em 2010, um programa policial potiguar cobria mais uma explosão de caixa eletrônico quando, após ouvir do delegado os enfadonhos detalhes técnicos da ocorrência, apresentou-lhe uma questão incômoda: aquele senhor não notava que a frequência de crimes do tipo ampliava-se com a aproximação da campanha eleitoral?

O entrevistado se negaria a comentar o assunto.

Naquela campanha, rodei os quatro cantos do Rio Grande do Norte assessorando um candidato. E ouviria todo tipo de história em todo tipo de município. Relatos sobre como criminosos financiavam ilegalmente alguns candidatos, ou ainda como alguns se candidatavam e venciam. Numa cidade de médio porte, por exemplo, um deles chegou a conquistar a Presidência da Câmara Municipal graças a débitos que os colegas de parlamento tinham com ele.

Todavia, a prática não se restringia a cidades minúsculas de interiores distantes. Quando se observa, por exemplo, os dias que antecederam a chegada do PT à Presidência da República, estão lá as chantagens, as armas apontadas contra a iniciativa privada, os desvios, os sequestros e até mesmo mesmo assassinatos.

A própria Lava Jato escancara: o grosso do Petrolão, o escândalo que eclodiu a revolta popular a favor do impeachment, era usado para o financiamento de partidos, para o financiamento de campanhas eleitorais. E a denúncia mais grave contra à presidente da República envolve pagamentos “por fora” na Suíça. O “Esquema PC”, que derrubou Fernando Collor, dizia respeito à captação de recursos em 1989. Eduardo Cunha só se tornou presidente da Câmara porque conseguira –  sabe lá como, mas suspeita-se – financiar um enorme número de deputados na campanha de 2014.

Um dos piores legados da passagem petista pela Presidência da República diz respeito ao consenso de que o “caixa 2” seria um crime menor, perdoável, algo que todos fazem. Ao menos foi assim que o petismo se defendeu do Mensalão em 2005.

Contudo, é justo do “caixa 2” que nasce a corrupção estatal. Vencidas as eleições, aqueles corruptos precisarão prestar contas com seus corruptores, e o patrimônio público será explorado ao máximo na quitação das dívidas. As consequências da prática vão da aprovação de leis absurdas à quebra da economia por parte de gestores incompetentes e/ou mal intencionados.

O “caixa 2” nunca foi “mero”, “simples”, “apenas” ou qualquer outro dispositivo utilizado pelo PT para conquistar o perdão público em 2006, ainda que o STF viesse a provar anos depois que o Mensalão se tratava de compra de votos da base parlamentar.

O “caixa 2” é a origem da ruína democrática brasileira. E precisa ser combatido seriamente nas próximas eleições se este país quer de fato um futuro melhor.

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