O mapa que melhor desenha a vitória de Donald Trump contra Hillary Clinton – politicas.info
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O mapa que melhor desenha a vitória de Donald Trump contra Hillary Clinton

A distribuição dos votos republicanos destaca toda uma nação que não vinha sendo ouvida por Obama e Clinton

Mapa: Ryne Rohla

É muito complicado para o brasileiro compreender como Hillary Clinton recebeu 2,8 milhões a mais de votos e ainda assim foi derrotada por Donald Trump em 2016. Porque, para isso, faz-se necessário entender que “federação” não é uma palavra meramente decorativa nos EUA, e cada estado possui forças com as quais os equivalentes nacionais nem sonham. Nessa distribuição de poder, o tamanho da população segue fazendo diferença, mas com peso bem menor.

O mapa dos colégios eleitorais, ou o que de fato definiu a vitória do atual presidente americano, já mostra uma nação bem mais vermelha (republicana) do que azul (democrata). Mas mesmo este não é justo com a realidade.

O próprio Trump vem preferindo emoldurar outra leitura: a que mostra as vitórias republicanas por condados. Neste desenho, a mancha vermelha surge com força até mesmo em estados que renderam vitória a Clinton, como o Colorado e o Novo México, por exemplo.

Mas Ryan Rohla quis ir além. E dedicou o primeiro semestre de 2017 a mapear as disputas por “precintos”, ou o equivalente às zonas eleitorais brasileiras. Não foi uma missão fácil, pois o pesquisador esbarrou em certa má vontade na hora de obter as devidas informações. Como é possível notar, há ainda no levantamento alguns pequenos espaços em branco. Mas 95% do que ocorreu em novembro de 2016 já foi descoberto. E, por ele, foi possível conferir como basicamente cada “vizinhança” se pronunciou a respeito da escolha do novo morador da Casa Branca.

Com raras exceções, resta evidente que a votação em Clinton concentrou-se nas principais aglomerações urbanas americanas. Onde, é verdade, a população é mais escolarizada. Mas, até por isso, necessita de menos auxílio estatal.

Tem sido ponto pacífico, a super população é um problema, por vezes grave. Desse ponto de vista, o sistema americano acerta por conter a força política das maiores cidades. Ou por tentar equilibrar o poder destas contra a zona rural.

Numericamente, havia mais americanos interessados num terceiro mandato democrata consecutivo. Mas essa vontade concentrava-se em câmaras de eco, em bolhas, e justo nas manchas urbanas que controlam a cobertura da imprensa. Independente da história contada pelos jornalistas, havia toda uma nação com anseios que só receberam atenção nas urnas.

O resultado desagradou muita gente. Mas talvez tenha sido a democracia escrevendo certo por linhas tortas.

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Fonte: Decision Desk

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