Exemplos no exterior provam que guerra contra o crack precisa unir saúde e segurança pública – politicas.info
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Exemplos no exterior provam que guerra contra o crack precisa unir saúde e segurança pública

O crack é derrotado quando as forças policiais, a saúde pública e a sociedade atuam coordenadamente

Foto: Agência Brasil

Há ao menos um efeito positivo do levante de João Doria contra a Cracolândia em São Paulo: o debate sobre o tema esquentou, e de forma propositiva. Em matéria para o Jornal Hoje, a Globo lembrou a solução americana em Nova Iorque, que já havia sido de tema de reportagem do Bom Dia Brasil em 2013.

Nos anos 1980, um terço dos homicídios na metrópole tinham relação com o consumo de crack. Em acordo com a política de tolerância zero do prefeito Rudolph Giuliani, o efetivo policial cresceu 45%, com um mínimo de 15 anos de cadeia para o traficante flagrado portando ao menos 110 gramas de qualquer tipo de droga. A ação contou com forte atuação de policiais à paisana, além da colaboração de associações de bairro.

Na Europa, a batalha foi mais “humanizada”. Em Frankfurt, o primeiro passo foi a descriminalização do usuário, com o entendimento de que se tratava de um problema de saúde, e não de segurança pública. Salas para consumo controlado dos entorpecentes foram preparadas, com o foco nas terapias de substituição, que não levam o usuário à abstinência, mas ao controle do próprio vício, sempre monitorados por médicos, que disponibilizavam opioides, como a metadona, em quantidades seguras. As forças policiais só entraram em campo quando o ambiente para tratamento estava preparado. E para exclusivamente conter o assédio dos traficantes.

Há um detalhe importante, contudo: na Alemanha, a vilã era a heroína. E não há tratamento semelhante que funcione contra o crack. Mesmo contra a cocaína, as pesquisas são recentes.

Em ambos os exemplos, resta uma certeza: não há um remédio que sozinho resolva o problema. A solução passa por um trabalho coordenado entre a segurança e a saúde pública, além de um diálogo claro com a sociedade.

Fonte: DW

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