O ponto forte da Lava Jato é o ponto fraco do governo Temer: o diálogo com a sociedade – politicas.info
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O ponto forte da Lava Jato é o ponto fraco do governo Temer: o diálogo com a sociedade

Rio de Janeiro/RJ, 29.04.2016 - Deltan Dallagnol fala sobre a Lava Jato em Congresso no Rio. Foto: Fernando Frazão

Não à toa, a Lava Jato é um sucesso de público

Foto: Fernando Frazão

No “Considerações sobre a Operação Mani Pulite“, artigo assinado por Sérgio Moro ainda em 2006 sobre a Mãos Limpas, o árbitro da Lava Jato destaca a importância de a investigação dialogar com a opinião pública usando, para tanto, a imprensa. Porque só com a opinião pública a favor seria possível vencer forças políticas tão poderosas.

A lógica faz sentido e a melhor prova vem dos resultados acumulados, ao menos na primeira instância, pela versão brasileira da operação italiana. Os procuradores estão sempre na imprensa esclarecendo pontos sensíveis, convocando o apoio popular para medidas necessárias, retrucando críticas e se comunicando em termos claros. Mesmo quando se dá a neologismos como “propinocracia”, sabe que usa elementos de fácil assimilação.

O governo Temer assumiu o comando da nação com uma missão tão ou mais difícil: aprovar uma reforma previdenciária num país quebrado. Isso só seria possível com muito diálogo com a população. Se a imprensa não colabora, ela precisa ser driblada, com campanhas de conscientização impactantes, mas principalmente com os protagonistas da reforma constantemente na mídia – e aqui vale, inclusive, redes sociais – domando a narrativa.

Mas não é o que ocorre. Apesar da ótima equipe econômica, o governo Temer vive de bastidores e só vem a público apagar incêndios. Assim, a história da reforma fica aos cuidados da oposição, que distorce a verdade como pode, confundindo a opinião pública, que remete a cobrança por atitudes aos parlamentares.

Resultado: assim como já fizera no processo de impeachment, o Estadão publicou um “Placar da Previdência“. E o marcador abriu com o governo Temer sendo surrado pela oposição – 96 a 256 no momento da redação deste texto.

Com cada vez mais regalias reservadas a grupos de pressão, vai ficando claro que a atual reforma previdenciária há de se concluir em um remédio inócuo, forçando o tema a ser explorado nas eleições de 2018.

Delas, talvez o grupo vencedor saia com popularidade em suficiência para temas tão delicados. E, se a concorrência não for baixa, há de ser um presidente que dialoga bem com a população, com ou sem ajuda da imprensa.

Em 2019, o remédio precisará ser ainda mais amargo. Que o brasileiro prepare a língua.

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Fonte: Estadão

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