Rouba, mas faz? Não: a Lava Jato revela que o corrupto faz justamente para roubar – politicas.info
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Rouba, mas faz? Não: a Lava Jato revela que o corrupto faz justamente para roubar

Quando a ordem dos fatores faz diferença

Foto: Joel Santana

O Brasil é lamentável ao ponto de o “rouba, mas faz” ter se tornado um bordão eleitoral aos que veem na corrupção uma espécie de “graxa” para a máquina pública. A expressão já era aplicada a alguns políticos específicos, mas recentemente o sentimento foi espelhado em todo um projeto de poder que consumiria mais uma década do desenvolvimento brasileiro. Contudo, as revelações da operação Lava Jato evidenciam que esse entendimento mais confundia do que explicava.

Porque o “fazer”, ou seja, a entrega de algum bom resultado não ocorria a despeito de esquemas de corrupção praticados pelos gestores, mas fazia parte da estratégia para lavar dinheiro tão sujo. Das maiores obras vinham as maiores comissões. Assim, de superfaturamento em superfaturamento, a corrupção encontrava os recursos necessários para se perpetuar no comando.

Hoje, resta evidente o motivo de o evento ter feito uso do número máximo de estádios, de as sondas terem sido fabricadas localmente em vez de importadas, de o Banco Nacional do Desenvolvimento ter irrigado tanta obra no exterior: o interesse nacional nunca esteve em jogo, mas, sim, a possibilidade de movimentar tamanha verba com o devido apoio popular.

Roubavam, mas faziam? Ou faziam para roubar? Certamente o segundo caso.

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