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O voto de Gilmar Mendes na cassação da chapa Dilma/Temer e o menor tatuado na testa

07/06/2017- Brasília- DF, Brasil- O presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, na retomada do julgamento da ação em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer

O fascismo nasce da incapacidade de o sistema punir quem precisa ser contido

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O 9 de junho de 2017 entrou para a história do Brasil, mas como um exemplo a não ser seguido. Naquela sexta-feira, no TSE, os ministros Napoleão Nunes Maia, Admar Gonzaga, Tarcisio Vieira de Carvalho Neto e Gilmar Mendes absolveram a coligação “Com a Força do Povo”, responsável pelo segundo mandato de Dilma Rousseff e Michel Temer. Ignorando uma quantidade robusta de provas, argumentaram que votavam pela preservação da estabilidade política da nação.

Enquanto isso, mil quilômetros distantes dali, outra barbaridade era cometida: Maycon dos Reis e Ronildo de Araujo, respectivamente tatuador e pedreiro, barbarizaram a testa de um menor suspeito de furto. Nela, registraram em caixa alta: “EU SOU LADRÃO E VACILÃO”.

O caso lembrou-me uma ocorrência de 15 anos atrás. Para sustento de seus vícios, um menor vivia a invadir casas numa vizinhança. A polícia até cumpria o papel e surgia para contê-lo, mas logo era vencida pelo sistema, que a obrigava a liberar o delinquente. Na enésima chamada, o delegado reuniu os vizinhos num canto e apresentou-lhes a proposta indecente: como a Justiça não estava disposta, ele topava “resolver o problema” por duzentos reais, que poderiam ser rateados entre os reclamantes.

Não estava explícito, mas todos entenderam a missão: o garoto seria executado, e seu corpo entraria para as estatísticas das brigas de gangues, das vítimas do narcotráfico, ou simplesmente dos 97% dos homicídios que não encontram qualquer culpado.

Por serem pessoas razoáveis, os vizinhos nem cogitaram levar adiante o plano. Mas há exceções. Ou, vai saber, regras.

Independente do crime cometido, o ocorrido com o garoto tatuado em São Bernardo do Campo é inaceitável. Mas a verdade é que o garoto teve sorte de não encarar destino ainda pior. O que nos obriga a buscar entender o que leva a população a medidas tão drásticas. E o absurdo transmitido ao vivo para todo o país em Brasília dá uma pista.

A Lava Jato é um sopro de esperança, mas a descrença no sistema ainda impera. Mesmo com uma das maiores populações carcerárias do planeta, a sensação é de que não pega nada. Nem ladrão de bicicleta, nem presidente da República. Gilmar Mendes alegou defender a estabilidade política, mas apenas provou que mesmo a campanha mais imunda de todos os tempos pode sair impune. E que, em 2018, os candidatos podem se sentir livres para novamente “fazer o diabo”.

Como a incompetência do sistema não mata a sede de Justiça, a população se dá a fazê-la pelas próprias mãos. É quando a barbaridade impera.

A história tem provado que o fascismo nasce da negação da realidade. Fingir que o problema não existe não é solução. Pode até garantir alguma paz a curto prazo. Mas só o suficiente para que os ignorados se organizem e passem a agir com régua própria.

O bom exemplo precisa vir de cima. E o TSE não só desperdiçou uma ótima oportunidade para dá-lo, como perdeu até mesmo a razão de existir.

Ao contrário do que queria Mendes, o voto de sua turma apenas deixou tudo muito mais instável.

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Fonte: Bom Dia Brasil

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