João Doria está bem longe de ser perfeito, mas a perseguição da imprensa já beira o ridículo – politicas.info
Comentário

João Doria está bem longe de ser perfeito, mas a perseguição da imprensa já beira o ridículo

São Paulo/SP, 17.04.2017 - O prefeito João Doria na coletiva de imprensa do projeto remédio rápido.

No caso mais absurdo, a cobertura jornalística comparou João Doria ao ditador da Coreia do Norte

Foto: Cesar Ogata / Secom

Nada tem chocado mais o noticiário político nacional do que os desdobramentos da Lava Jato. A operação vem se focando nas relações espúrias entre poder público e entidades privadas nas últimas décadas. Por isso, a relação estreita entre a gestão Doria e os empresários que se dispõem a ajudar a prefeitura de São Paulo merece o mais estrondoso sinal de alerta. Contudo, a cobertura da imprensa já passou o limite do razoável, se é que em algum momento o respeitou.

No caso mais recente e talvez mais absurdo, em clara referência a João Doria, que usa os uniformes dos funcionários da prefeitura para vender a imagem de gestor público incansável, o UOL noticiou que o ditador da Coreia do Nortetenta passar uma imagem de zelador e trabalhador, mas não se fantasia“. A Folha de S.Paulo, por sua vez, aproveitou o final de semana para publicar reclamações contra o fato de o prefeito trabalhar demais.

O maior jornal do país parece o mais empenhado no bombardeio. Dias antes, havia jogado na manchete que “Doria busca parcerias com suspeitos em escândalo da ‘Lava Jato coreana’“. Qual seria a empresa obscura que justificaria uma citação do tucano ao lado da podridão do Petrolão e outros esquemas? A Samsung, essa mesma que está nos lares de tantos brasileiros, seja como aparelhos celulares, seja como smartvs. Antes, a Folha havia reclamado do não uso de cinto de segurança em um vídeo publicado nas redes sociais, e associou à mudança nas placas trânsito um acidente no qual o motorista estava bêbado.

Se o prefeito consegue que os hospitais mais caros de São Paulo ajudem a tirar o atraso herdado na fila dos postos de saúde, a imprensa reclama que apenas 4% dos exames foram feitos lá. Se a tal fila é zerada, reclamam que os pacientes que chegaram depois ficaram para depois – mas não é essa a lógica de uma fila?

Trata-se da mesa imprensa que chama fotógrafo de “personal paparazzi”, mas trata pichador como grafiteiro, que oferece palco a qualquer ato de vandalismo contra o prefeito (e contra a cidade), que já teve até mesmo jornalista preso com a lata de tinta na mão. E não se trata de um movimento recente. Com menos de quinze dias de trabalho, o jornalismo reclamou que a única visita feita por Doria não deu jeito nas ruas esburacadas do Itaim Paulista.

Com tantos anos de uma imprensa servil, espalhou-se no país a sensação de que o jornalismo de verdade precisa fazer oposição a tudo. O que é um bom macete para uma prova, mas está longe de ser verdade. Porque o compromisso do jornalista é justo com esta, faça ela bem ou mal a quem está no comando. É nítido que a cobertura das ações da prefeitura paulistana mudou por completo após a entrega da gestão a um partido opositor. Mas, em ambos os casos, está errada. Uma imprensa livre é uma imprensa justa. Qualquer outra postura a aproximará da mesma militância que estragou o Brasil nos últimos anos.

Está curtindo o Politicas.Info? Gostaria de ajudar a manter este projeto no ar? Basta clicar aqui e fazer uma doação de qualquer valor.

Clique para comentar

Envie-nos uma pauta, esclareça sua dúvida ou corrija/acrescente informações:

Últimas Notícias

Liberdade, Capitalismo & Democracia.

Copyright © 2015 - ÁpyusCom

Para o Início