É possível defender o voto em lista fechada, mas o Brasil não facilita – politicas.info
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É possível defender o voto em lista fechada, mas o Brasil não facilita

Aqui, a lista fechada é defendida como um obstáculo para evitarem a cadeia

Foto: Kleiner

Porque o voto já é em lista. E o fato de ela ser “aberta” não facilita o serviço. Ao se verificar a dinâmica do quociente eleitoral, percebe-se que as cadeiras das câmaras municipais, assembleias legislativas e Câmara Federal são distribuídas para listas de candidatos, respeitada a ordem do mais para menos votado. A diferença é que, no modelo atual, a lista é formada pelo próprio eleitor no momento em que encara a urna. No desejado por Brasília, ela seria definida por cada partido, e o eleitor deixaria de escolher um candidato, mas a ordem definida pela agremiação.

Então o modelo atual seria melhor?

É neste ponto que cabe a discussão. Atualmente, o eleitor define a lista, mas vota às cegas. Antes da apuração, não há como saber quem será o primeiro, segundo ou terceiro de cada coligação. Sabe-se apenas que há um punhado de políticos, por vezes um punhado de partidos. E, assim, escolhe-se em Tiririca sem a ciência de que o voto de protesto findará elegendo Protógenes Queiroz, hoje um foragido da Justiça.

No modelo em discussão, o eleitor teria contato com toda a escalação do time e saberia melhor em quem está votando.

Em Brasília, apostam que assim facilitarão a renovação dos próprios mandatos, o que os protegeria do avanço da Lava Jato na primeira instância. Mas parecem ignorar que, nos últimos pleitos, nenhum fato contou mais do que a rejeição. Uma maçã podre causará um impacto enorme no cesto, e forçará o eleitor a buscar outra sigla – ou essa sigla a se livrar da maçã podre.

Há ainda um fator didático: aqueles parlamentares trabalharão em equipe, porque é como funciona no Congresso. Em tese, a lista fechada obrigará o eleitor a pensar no grupo, e não no indivíduo. Desta forma, o brasileiro entenderia que o jogo precisa de entrosamento, e não de malucos que sozinhos gritam absurdos sem nada conseguirem de prático além da renovação do próprio mandato.

É uma ideia que, no papel, renderia um país melhor. Mas o Brasil não facilita. Afinal, a lista fechada é defendida como um obstáculo para fugirem da cadeia. E se o plano deles funcionar?

2 Comentários

2 Comentários

  1. Sâmia

    21 de maio de 2017 no(a) 7h27

    “Desta forma, o brasileiro entenderia que o jogo precisa de entrosamento, e não de malucos que sozinhos gritam absurdos sem nada conseguirem de prático além da renovação do próprio mandato.” Isso foi pros bolsonaristas, pois não? É que a carapuça me serviu mas, nem assim, fui dissuadida. É melhor JAIR se acostumando…

    • Marlos Ápyus

      21 de maio de 2017 no(a) 8h44

      Se servir de consolo, a carapuça serve a um enorme grupo que se encontra hoje no Congresso. Basta acompanhar as sessões da Câmara e Senado para confirmar.

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