Ao não apoiar Miriam Leitão, o feminismo deu razão aos seus principais críticos – politicas.info
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Ao não apoiar Miriam Leitão, o feminismo deu razão aos seus principais críticos

A jornalista precisava de apoio, mas recebeu algo bem diferente da militância que mais deveria defendê-la

Foto: Elza Fiuza (ABr)

Em 10 de março de 2017, Miriam Leitão usou sua coluna no Globo para tecer duras críticas ao pronunciamento de Michel Temer no Dia Internacional da Mulher. Para a jornalista, o presidente da República não cometera uma gafe, ou algo que resultaria em entendimentos equivocados. Fez algo pior: deixara transparecer quem ele de fato era. E o retrato em nada favorecia o peemedebista:

Não foi gafe do presidente. Ele é assim. Estava convencido de que era uma homenagem às mulheres quando disse toda aquela coleção de frases feitas e velhas que confirmam o papel tradicional da mulher. Michel Temer, quando organizou seu ministério só com homens, ouviu críticas. Prometeu, então, procurar alguém “do mundo feminino”. Para ele, somos do outro mundo.

É preciso ter estado muito desatento nos últimos 50 anos para não ter visto a revolução passar. Mulheres mudaram tudo: valores, comportamentos, atitudes. Ainda lutam, ainda enfrentam bloqueios e desigualdades, mas estão virando a vida de ponta cabeça desde os anos 1960. Há precursoras antes disso. O livro seminal sobre o assunto é o “Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, publicado há exatamente 68 anos, cuja leitura ensina sobre a alteridade da mulher: ela é vista como o diferente, o outro, uma pessoa do outro mundo.

Os sete parágrafos seguintes mantêm o tom. E compõem um texto que se encerra numa corajosa defesa das mulheres, do feminismo e de todas as suas conquistas.

Três meses depois, Leitão usou a mesma coluna para registrar ataques sofridos em plena aeronave da Avianca. Segundo os relatos da jornalista, delegados que tinham saído direto do Congresso do PT não desperdiçaram a oportunidade fazer inferno das duas horas de voo entre Brasília e Rio de Janeiro, com direito a conivência da tripulação.

Nas redes sociais, a provocação partiu de duas profissionais que fazem acontecer na política nacional. E que já sofreram na pele situações semelhantes, ainda que menos graves. Vera Magalhães e Janaina Paschoal, jornalista e criminalista respectivamente, perguntaram: cadê as feministas?

Logo as redes sociais ecoaram a questão. Afinal, se o feminismo alega defender os direitos das mulheres, por que não encampou a defesa de Miriam Leitão, alguém que, até por escrever sobre economia, não só jamais foi um obstáculo à causa, como emplacou a agenda em algumas de suas pautas?

Mas, salvo pontuais exceções, o movimento se calou. Das vozes mais atuantes, quando não tentaram justificar os ataques sofridos pela jornalista, se entregaram à galhofa, com mensagens sarcásticas, memes e gifs animados. A militância não só desperdiçou uma ótima oportunidade de se mostrar maior do que uma guerra de torcidas organizadas, como deu razão aos críticos, que veem nela uma massa manobrada pela esquerda. Ou, no caso do Brasil, por algo ainda pior: um partido, e dos mais corruptos.

Essa leniência para com os desvios da esquerda, em especial os do PT, soa cada dia mais condenável. E queima cada vez mais o filme de um movimento que já fez tanto pela humanidade.

Fonte: O Globo

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