A imprudência de Rodrigo Janot trouxe mais prejuízos à Lava Jato do que a Michel Temer – politicas.info
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A imprudência de Rodrigo Janot trouxe mais prejuízos à Lava Jato do que a Michel Temer

Rodrigo Janot

Dias após a delação da JBS, a Lava Jato foi atacada como nunca

Foto: Geraldo Magela

Não faz sentido reclamar de cálculo político na Lava Jato. Porque a operação só chegou ao tamanho que tem hoje ao topar jogar o que tantos investigados jogam para escaparem da Justiça. Portanto, mesmo diante de denúncias tão graves, como as que recentemente forçaram o presidente da República a negar uma renúncia, é preciso medir a distância do passo seguinte. E é aqui que Rodrigo Janot mais peca.

O próprio Sérgio Moro já confessou que, em março de 2016, tinha elementos em suficiência para pedir a prisão temporária de Lula. Mas optara pela condução coercitiva. Certamente temia o efeito rebote, uma vez que o país ainda era presidido por Dilma Rousseff, e a petista não mediria esforços para tirar da cadeia o maior nome do partido.

O procurador-geral da República não pediu a prisão de Michel Temer, mas atacou a Presidência da República como jamais fizera no mandato anterior. Para tanto, valeu-se de uma jogada que soou espontânea quando Bernardo Cerveró grampeou Delcídio do Amaral, mas já dava ares de farsa no que este fez o mesmo com Aloizio Mercadante, e findaria em (quase) nada no registro de declarações suspeitas de Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney por Sérgio Machado: anexou à Lava Jato escutas obtidas por uma pouco crível iniciativa dos próprios investigados.

No caso de Joesley Batista, o movimento foi ainda mais questionável: a JBS vinha sendo investigada não pelo relacionamento que mantinha com a Petrobras, mas com o BNDES, o que não a qualifica para a relatoria tocada por Edson Fachin, responsável pela Lava Jato na Suprema Corte. Num movimento precipitado, afinal, a delação foi acordada em menos de dois meses, Janot expôs a recuperação econômica do país a um risco indesejável, permitiu que um dos maiores criminosos da nação se exilasse impunemente nos EUA e uniu a classe política contra a operação iniciada em Curitiba. Em questão de dias, o ministro da Justiça foi substituído, a presidente do BNDES caiu, o orçamento da força-tarefa da Lava Jato foi reduzido, o comando da PF foi posto na mira do Planalto, parlamentares negaram a si mesmos a possibilidade de prisão em segunda instância e até o imposto sindical, que encarava um fim próximo, deve ganhar sobrevida numa Medida Provisória prometida por Temer.

Se antes havia uma preocupação em dosar ataques à operação com o que pensasse a opinião pública, agora os avanços do Governo Federal são explícitos. Com o maior dos agravantes: a bola ainda está com o PMDB. Qualquer fim precoce da atual gestão passa necessariamente por um aliado: Rodrigo Maia, para as possibilidades de impeachment ou mesmo eleição direta; Gilmar Mendes, numa eventual cassação. Quanto às ruas, não ficarão lotadas enquanto tomadas por quem pede a volta de Lula ou Dilma Rousseff.

Com menos sede ao pote, focando o alvo numa cultura corrupta, e não apenas nos adversários do PT, Janot poderia ter feito um bem enorme ao Brasil em seus meses finais à frente da PGR. No entanto, preferiu resolver sozinho, e às pressas. Hoje, não há caminho que não leve ao caos.

Como diria o principal desafeto do procurador, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

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