Palocci disse a Sérgio Moro que Lula sabia dos R$ 200 milhões em “provisões” da Odebrecht – politicas.info
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Palocci disse a Sérgio Moro que Lula sabia dos R$ 200 milhões em “provisões” da Odebrecht

O depoimento de Antonio Palocci à Lava jato empolgou mais pelo potencial do que pelo que foi entregue pelo ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff. A imprensa focou-se na possibilidade de uma delação premiada, o que fato tem tudo para ser bombástico. Mas, já na conversa deste 20 de abril, alguns detalhes se somaram à longa investigação, ainda que de forma oblíqua.

Em dado momento, no que parecia vir do advogado do depoente, foi travado o seguinte diálogo:

– Um dos eixos da acusação nestes autos, é uma planilha, que é apócrifa, não é assinada por ninguém, não é autenticada, mas, em cujo o corpo estão lançados alguns apontamentos relativos a cifras. Alguma vez lhe foi exibida, ou tentara exibir esta planilha ao senhor?
– Se tentaram, eu não sei. Mas nunca foi exibida.
– O senhor nunca tomou conhecimento?
– Tomei.

Na sequência, Palocci responderia de forma mais lenta, por vezes consultando anotações, e calculando cada termo que escolhia. Na fala, comprometeria Lula, ao entregar que o ex-presidente sabia da existência de uma planilha com algo próximo dos R$ 200 milhões reservados à gestão petista pela Odebrecht. E que tais valores extrapolavam as doações legais de campanha. Mas a culpa foi empurrada para Marcelo Odebrecht:

“Final de 2010, acho que um pouco antes da eleição. A Odebrecht fez chegar ao presidente Lula que havia, além daquilo que tinha sido comprometido na campanha formalmente, uma provisão em torno de R$ 200 milhões. Isso chegou ao presidente Lula.

O presidente Lula me procurou surpreso, estranhando… E disse: ‘Olha, eu nunca tive conversa desse tipo, não foi uma conversa direta, ela chegou a mim e eu queria entender o que é que está acontecendo‘.

Aí fui ao Marcelo e falei: ‘Aconteceu isso. Eu conheço a empresa há mais de 10 anos, jamais tratamos a relação do governo com a empresa a partir de provisões.’ Nesse momento, o Marcelo tentou construir comigo um entendimento de que ‘não, na verdade isso acontece, a gente trabalha dessa forma na empresa, a gente faz provisões para candidatos, em época eleitoral, etc‘.”

Ao que tudo indica, a estratégia do depoente – e, quem sabe, a de outros investigados – é confirmar a existência dos valores, mas defender a ideia de que partira da empreiteira, e não de necessidades das autoridades que se beneficiariam dela.

Só o tempo dirá se conseguirão se livrar de uma condenação por este caminho.

Fonte: Estadão

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