O Estatuto do Desarmamento não reduziu as mortes por armas de fogo – politicas.info
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O Estatuto do Desarmamento não reduziu as mortes por armas de fogo

Revólver

Defensores do desarmamento dizem que o estatuto melhorou a situação, mas o problema segue muito longe do fim

Screenshot: YouTube

A exemplo do ocorrido em 2013 e 2015, o Mapa da Violência de 2016 aproveitou os dados que colheu para fazer propaganda a favor de uma população desarmada. Para isso, mais uma vez se valeu de um ponto de vista um tanto pitoresco: de acordo com o levantamento, desde 2004, quando entrou em vigor, o Estatuto do Desarmamento não teria evitado o crescimento das mortes por armas de fogo, mas sim que este crescimento fosse ainda pior. Por essa lógica, 134 mil óbitos teriam sido evitados.

Mas faz sentido a leitura de Julio Jacobo Waiselfisz, sociólogo da Flacso Brasil, autor do estudo?

O primeiro ponto estranho é o confronto entre os períodos estudados: antes do Estatuto, olha-se para um intervalo de 23 anos, e conclui-se que o crescimento médio de 8,1% seria pior que os 2,2% observados entre 2004 e 2014.

Por que não usar um período idêntico? Não interessava mostrar que, entre 1993 e 2003, o crescimento já havia caído para uma média abaixo dos 6%? E que, nos 11 anos anteriores, se aproximava dos 9%? Ou uma prévia tendência de queda não interessava para o discurso?

Números (levemente) melhores surgiram uma década antes

O gráfico interativo abaixo resume os dados apresentados pelo Mapa da Violência em 2015. Em verde, estão destacados os anos que antecederam o Estatuto do Desarmamento; em vermelho, os subsequentes.

Natural imaginar que, com a lei em vigor, ao menos as mortes acidentais por arma de fogo cairiam. Mas elas seguiram estáveis após 2004. Estranhamente, uma queda considerável teria ocorrido 10 anos antes, ainda que com um pico em 1999.

Quanto aos os suicídios por arma de fogo, em queda no trecho em vermelho, caíam desde 1994, assim como a coluna “indefinido”. O único número que ironicamente segue crescendo é o de homicídios, mesmo que em velocidade menor. Quando se fecha a conta, o “total” aponta alguma eficiência do Estatuto, mas, como se nota, fatores anteriores também contaram para o resultado.

Em outras palavras, pode se concluir que o Estatuto do Desarmamento até interferiu positivamente em alguns aspectos, mas não passou sequer perto de resolver o problema.

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Fonte: O Globo

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