Na prática, Michel Temer foi eleito por voto indireto ainda em 2009 – politicas.info
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Na prática, Michel Temer foi eleito por voto indireto ainda em 2009

18.05.2016 - Michel Temer, já na condição de presidente interino do Brasil. Imagem por: Diego DEAA

É preciso defender a cassação da chapa que reelegeu Dilma mesmo que o TSE discorde da ideia

Foto: Diego DEAA

Em coluna para a Folha, Elio Gaspari defende que Michel Temer conclua o mandato, ou o Brasil terá, pela primeira vez desde a ditadura, um presidente eleito por voto indireto. É, de fato, o receio de quem vê como medida correta, mas inconveniente, a cassação da chapa que reelegeu Dilma. Inconveniente e fatal para o futuro da Lava Jato, pois entregaria ao grupo investigado pela operação a definição do comando do país.

Mas é preciso entender como Michel Temer se tornou um vice-presidente eleito e reeleito pelo voto direto. O peemedebista já havia presidido a Câmara Federal de 1997 a 2001. Com o “Renangate” afastando Renan Calheiros da Presidência do Senado em 2007, e com o próprio Temer voltando à linha sucessória ao reassumir a Câmara em 2009, este se tornou o nome mais forte do mais forte aliado do petismo.

Quando Lula trabalhou Dilma Rousseff para a sucessão, buscou evitar o erro de 2003, mandato no qual recorreu ao baixo clero para governar, resultando no Mensalão. Para isso, precisava não só garantir que sua ministra da Casa Civil venceria a disputa, como ela teria o Congresso ao lado. Com Calheiros queimado junto à opinião pública, coube a missão a Temer. Ou seja… Na prática, ainda em 2009, os parlamentares indiretamente definiram quem presidiria o Brasil numa falta de Dilma. E a falta definitiva veio com o processo de impeachment.

Por medo da instabilidade institucional, o TSE caminha para absolver o presidente, ainda que puna a presidente cassada. É a medida conveniente. Mas foi de conveniência em conveniência que o Brasil cavou o buraco no qual se encontra atolado. É preciso defender o oposto, ainda que para resmungar após o veredicto. Se a queda de Temer parece improvável, que a insatisfação popular eduque o voto de 2018. Pois, mais do que nunca, o futuro do país depende do que sairá dessas urnas. E delas não pode vir a reeleição de quem legisla com o único objetivo de obstruir a Justiça.

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Fonte: Folha de S.Paulo

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