João Santana contou à Lava Jato como Lula interferiu na eleição presidencial de El Salvador – politicas.info
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João Santana contou à Lava Jato como Lula interferiu na eleição presidencial de El Salvador

Visita do Presidente de El Salvador, Maurício Funes

Ao monitorar a dívida do PT com o marqueteiro, Lula chamava os Odebrecht de “os alemães”

Foto: Ricardo Sutckert/PR

João Santana venceu oito eleições presidenciais, incluindo a que nem contou com a participação dele. Só após a delação acordada com a Lava Jato foi possível compreender o caso. O publicitário que arquitetava as campanhas eleitorais do PT conquistou o último mandato de Hugo Chávez, que morreria logo em seguida. Meses depois, em novo pleito, Nicolás Maduro reaproveitaria grande parte do material produzido pelo brasileiro e se tornaria presidente da Venezuela.

Por mais que tenha pulado fora nos primeiros dias de campanhas, Santana teve papel fundamental na criação do “Lula Paz & Amor” explorado em 2002, quando o petista chegou à Presidência do Brasil. Mas não participaria do governo até Duda Mendonça, seu ex-sócio, prestar um polêmico depoimento no Congresso sobre o Mensalão. Para reverter os danos à própria imagem, Lula convocou o estrategista que o faria conquistar um domínio político de boa parte do continente.

Aos procuradores, Santana contou que a influência política da Odebrecht nasceu na direita, com financiamento a campanhas de ACM. Mas que, de acordo com Antonio Palocci, a empreiteira se guiava pelo lema: “Se há governo, sou a favor”. Assim, com a ascensão esquerdista, mudou de lado sem dificuldades.

Em dado momento, o delator foi enfático: “Eu não conheço um único candidato que não tenha conhecimento do caixa dois“. Na sequência, detalhou a participação de Lula em uma das campanhas que coordenou. Em 2009, faltava grana para pagar a propaganda de Mauricio Funes, em El Salvador. Santana voltou ao Brasil e pediu diretamente ao então presidente da República. Que apontou Emílio Odebrecht como solução. Conversa realizada, ao voltar para América Central, a empreiteira já havia repassado da “conta corrente” que tinha com o PT os valores necessários para vencer mais uma disputa.

Em um único relato, na condição de presidente da República, Lula surge interferindo na eleição presidencial de uma outra nação, negociando caixa dois e utilizando uma conta clandestina de uma empreiteira que tocava obras bilionárias em seu governo. É gravíssimo!

Mesmo na condição de ex-presidente, monitorava o andamento do acordo. Chamando os Odebrecht por um apelido próprio, o delatado perguntava ao delator se estava sendo bem tratado pelos “alemães”. Era uma forma de confirmar se a dívida petista com a marqueteiro estava sendo quitada pela empreiteira.

Ao que tudo indica, o “triplex” é a questão mais simples que Lula precisará explicar à Lava Jato.

Fonte: Estadão

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