Em 99,5% das vezes, o STF nega a liberdade concedida ao marido de Gleisi – politicas.info
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Em 99,5% das vezes, o STF nega a liberdade concedida ao marido de Gleisi

Ricardo Lewandowski e José Antônio Dias Toffoli.

Em 5 anos, o STF só concedeu 13 habeas corpus “no contexto” do que libertaria Paulo Bernardo

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom

Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, foi preso preventivamente pela operação Custo Brasil em 23 de junho de 2016. Se seguisse o curso natural das coisas, a defesa do marido da senadora Gleisi Hoffman, do PT, teria primeiro recorrido ao Tribunal Regional Federal. Na sequência, seria a vez do Superior Tribunal de Justiça e só então o STF. Mas os advogados acharam por bem saltar duas instância e já cobrar um posicionamento da Suprema Corte, uma jogada arriscadíssima.

Quão arriscada? Nos últimos cinco anos, manobras do tipo seriam exploradas 2.894 vezes. E só conseguiriam o habeas corpus desejado em apenas 13 (treze!) ocasiões. A 14ª seria a que mandou Paulo Bernardo para casa e jogou um balde de água fria na “revolução” judiciária por que vem passando o Brasil – uma vez que abriu precedentes que praticamente tornarão impossíveis novas delações premiadas além das obtidas pela Lava Jato.

Ou seja… Em 99,55% das vezes, o STF decidiu em caminho oposto ao escolhido por José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado do PT indicado ao cargo aos 41 anos sem qualquer experiência como juiz, pois jamais conseguiu passar no concursos para o cargo.

Incomoda, no entanto, a concordância de Gilmar Mendes com a postura do colega de toga. Indicado por FHC e até hoje com uma conduta viciadamente tucana, vê nos argumentos do pupilo consistência tão boa quanto aquelas exploradas pelo próprio juiz quando presidiu o STF e concedeu seguidos habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas – na época, detido pela operação Satiagraha.

Fato é que as esperanças de “novas Lava Jato’s” prosperarem se dissiparam após a Custo Brasil. E o STF nem buscou evitar que vazamentos chegassem à imprensa confirmando que esse era um interesse da própria corte. Trata-se de uma escandalosa volta a um modelo que nunca deu certo. E os 11 ministros que lá votam sabem muito bem disso.

Fonte: Folha de S.Paulo

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