Em 13 fatos, como uma disputa entre Lula e Dilma os entregou à Lava Jato – politicas.info
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Em 13 fatos, como uma disputa entre Lula e Dilma os entregou à Lava Jato

Aconselhada por Mercadante, Dilma deixou a Lava Jato chegar em Lula, mas seria um tiro no pé

Foto: Roberto Stuckert Filho

Aos poucos, as peças do quebra-cabeça se encaixam e uma linha do tempo contendo informações colhidas pela Lava Jato faz sentido. E deixa no ar como poderia ter ocorrido toda a participação de Dilma Rousseff, Lula e Marcelo Odebrecht numa trama rica em sabotagens que findaria em prisões e na queda da presidente.

Abaixo, são listados fatos pela ordem de acontecimento, sempre com links para as fontes da informação. Se tais pontos podem ser ligados diretamente, o tempo confirmará. Por enquanto, compõem um enredo que envolve uma disputa entre Lula e Dilma pelas eleições de 2014 e 2018. E que, de início, findaria beneficiando a presidente.

Mas havia uma Lava Jato no meio do caminho.

1. Marcelo Odebrecht e Lula queriam Lula de candidato em 2014

Em reportagem de capa da Veja, Marcelo Odebrecht confessa que doou R$ 4,7 milhões ao Instituto Lula, e outros R$ 3 milhões a “palestras” do ex-presidente, para bancar o movimento “Volta, Lula”. O Google Trends registrou um aumento de notícias a respeito da expressão entre fevereiro e agosto de 2014, com pico na semana entre 27 de abril e 3 de maio. O petista fez uso da grana com esse fim? Bom… Ao menos um site apócrifo (lula2014.org) foi lançado no período com tal objetivo.

2. Dilma Rousseff passaria a perna em Lula e se candidataria à reeleição

O caso ocorreu justamente na semana percebida pelo Google Trends, em 2 de maio de 2014, mas só foi revelado em outubro de 2015 por Vera Magalhães, na Veja. Naquela noite, Lula se preparava para anunciar à imprensa que a petista não tentaria reeleição, diferente dele, que buscaria um terceiro mandato. Mas, após uma reunião a portas fechadas com a então presidente, voltaria abatido ao palco para anunciar a candidatura de Dilma à reeleição. O título da nota publicada na Veja? “A morte do ‘Volta, Lula’“.

Especulava-se que a presidente afastada teria ameaçado contar aos investigadores tudo o que sabia sobre Pasadena e a campanha de Lula em 2006. Em delação, Nestor Cerveró, que acompanhou toda a negociação com a refinaria do Texas, confirmaria que a campanha que reelegeu o petista contou com R$ 50 milhões em propina.

3. Dilma exigiu de Marcelo Odebrecht R$ 6 milhões no caixa 2 para pagar João Santana

Entre o primeiro e o segundo turno da campanha de 2014, Edinho Silva, o tesoureiro da campanha de Dilma, exigiu de Marcelo Odebrecht o total de R$ 12 milhões em propina para um caixa 2 que seria dividido entre João Santana, marketeiro do partido, e o PMDB. Segundo a IstoÉ, Marcelo se negaria a pagar, mas conversaria pessoalmente com Dilma:

– Presidente, resolvi procurar a senhora para saber o seguinte: é mesmo para efetuar o pagamento exigido pelo Edinho?
– É para pagar.

4. A Odebrecht pagou João Santana por meio de uma conta na Suíça

Segundo a Lava Jato, os pagamentos começaram a ser feitos justamente em outubro de 2014, ou seja, logo após o encontro com Dilma Rousseff. E totalizariam US$ 3 milhões. Pela cotação da época, esse valor equivaleria a algo próximo dos R$ 7 milhões.

5. Lula tentaria de novo ser candidato em 2018

O anúncio foi feito pela rouca voz de Rui Falcão na ressaca da reeleição de Dilma.

6. Mercadante sugeriu a Dilma deixar a Lava Jato se aproximar de Lula

A indiscrição foi revelada por Delcídio do Amaral em entrevista ao Roda Viva. Possivelmente porque queria ser ele o sucessor de Dilma, Mercadante achou por bem sugerir à presidente que deixasse a Lava Jato avançar sobre Lula, enfraquecendo o ex-presidente e abrindo espaço para a petista surgir triunfante ao final.

7. Marcelo Odebrecht percebeu que a Lava Jato poderia chegar também a Dilma

E fez uma anotação no próprio celular, em período não determinado pela investigação: “Dizer do risco da cta suíça chegar campanha dela?

8. Marcelo Odebrecht se encontra com Dilma no México e a alerta da aproximação da Lava Jato

Dilma esteve no México em maio de 2015. Foi nesta viagem que Marcelo Odebrecht mais uma vez se reuniu com a petista. De acordo com a delação do empreiteiro, o tema do encontro seria a Lava Jato. Teria alertado do risco da conta na Suíça chegar à campanha dela? De qualquer forma, segundo o empresário, a presidente não demonstraria qualquer boa vontade em ajudar o homem que bancou o “Volta, Lula”. Mas, conforme delação de Delcídio, algo faria a petista mudar de ideia.

9. Marcelo Odebrecht é preso

A prisão se deu um mês depois do encontro com Dilma no México.

10. Por três vezes, Dilma e Cardozo tentam tirar Marcelo Odebrecht da cadeia e sabotar a Lava Jato

As tentativas ocorreriam em julho de 2015, todas as três envolvendo membros do judiciário. E só obteria algum sucesso na nomeação de Marcelo Navarro ao STJ. Estaria Dilma com medo do risco de a conta da Suíça chegar à campanha dela? Bom… Como ensinou a história, não daria certo, Odebrecht continuaria preso até entregar a presidente, que, antes de ser afastada, ainda aplicaria dois duros golpes na operação.

11. Lula libera o PT para melar as negociações com Eduardo Cunha

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha passariam o novembro de 2015 negociando o processo de impeachment. Se o peemedebista tinha na mesa o pedido que findaria derrubando a presidente, a petista alegava ter cinco ministros do STF para “ajudar” na situação do presidente da Câmara. Onde está Lula nessa história? De novo na voz de Rui Falcão, ao autorizar que deputados petistas votassem contra Cunha no Conselho de Ética, algo que não interessava ao governo Dilma.

12. Dilma e Lula se unem no foro privilegiado

Se Lula estava com a Lava Jato já assinando-lhe um pedido de prisão, Dilma estava com o processo de impeachment no pescoço. O próprio Rui Falcão seria flagrado em áudio concordando que o melhor a ser feito era garantir foro privilegiado ao ex-presidente, evitando que Sérgio Moro o prendesse. Em contrapartida, o petista, como ministro da Casa Civil, ajudaria a salvar o mandato presidencial. De fato, Lula tentaria, mas num ministério clandestino montado num hotel cinco estrelas em Brasília. Não seria suficiente.

13. Dilma Rousseff cai, Marcelo Odebrecht a entrega

Em 12 de maio, o processo de impeachment afastou Dilma Rousseff. Marcelo Odebrecht, que desde março de 2016 prometia fazer delação premiada, entregou a presidente afastada à operação Lava Jato um mês após o afastamento dela.

Texto originalmente publicado em 6 de junho de 216, atualizado para 15 de maio de 2017.

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