Ao menos no curto prazo, o sindicalismo favorece a concentração de renda – politicas.info
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Ao menos no curto prazo, o sindicalismo favorece a concentração de renda

Trabalhador em uma indústria cortando metal e gerando faíscas

Porque, ao exigir melhorias na condições de trabalho, dificulta a criação de novos postos, e o consequente acesso a estes

Foto: Jorge Royan

Pouco se fala na forma como o discurso sindicalista concentra renda. O que querem os liberais: que o custo trabalhista de um funcionário seja reduzido, tornando possível a contratação de mais trabalhadores. Mais trabalhadores implicam numa produção maior, numa maior oferta que findaria em preços mais acessíveis. No momento seguinte, toda essa reação em cadeia converte-se em uma margem de lucro mais interessante, podendo ela ser convertida na abertura de novos postos de trabalho. Ao menos até que não haja mão de obra suficiente, o que forçará o contratante a oferecer melhores condições de trabalho.

Mas o sindicalismo entende que, por mais que a maior parte do custo de um funcionário vá para o governo, e mesmo que este funcionário só veja a grana muito tempo depois e sem a devida valorização, tratam-se de ganhos que pertencem ao funcionário, o que tem seu sentido. Contudo, é preciso confrontar os contextos.

No cenário A, o Estado come uma fatia menor, mais gente trabalha, e aquela mesma grana é distribuída com uma parcela maior da população. No B, o do sindicalismo, a tendência é ampliar direitos, o que fatalmente encarece a contratação, restringindo o acesso a ela. Quem conseguirá o acesso restrito? O mais preparado. E o mais preparado não é o mais pobre.

O sindicalismo pode ainda assumir que a fatia maior da lei trabalhista, uma vez destinada ao Estado, serve à sociedade. Mas a prática vem mostrando que o grosso da verba pública finda reservada aos grupos que mais pressionam o Estado. Há a sensação de que seriam as camadas mais pobres, mas estas são só as mais barulhentas. Quem mais exerce pressão no Estado são justo os mais fortes. E os mais fortes nem pretendem fazer barulho.

O mais grave deste contexto é que os grupos de pressão não precisam apresentar alguma eficiência para serem premiados pela sociedade. Eles só precisam garantir que o corrupto que os recebeu seja reeleito e faça o sucessor.

O resultado é o que se vê no Brasil de hoje. Mas isso o leitor já percebeu. E sentiu.

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