“Petrolão” e “pedalada”: dois termos ingênuos que amenizaram os crimes cometidos – politicas.info
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“Petrolão” e “pedalada”: dois termos ingênuos que amenizaram os crimes cometidos

Dilma Rousseff e Lula no dia da posse

Se chamassem “pedalada fiscal” de “fraude contábil”, não haveria dúvida sobre o tom criminoso da manobra

Brasília/DF, 01.01.2011 - Imagem por: Fabio Rodrigues Pozzebom

O governo Dilma Rousseff preferia chamar de “contabilidade criativa”, mas, desde a primeira geração dos “Meninos da Vila”, com Robinho enrolando zagueiros no Santos, que os analistas econômicos apelidaram a manobra de “pedalada fiscal”. Naquele tempo, o jornalismo já evitava dar o devido nome aos bois chamando pelo nome certo os crimes noticiados.

A falta de coragem para denunciar com termos mais incisivos permitiu ao PT, pouco mais de uma década depois, elaborar um questionamento cínico que só seria possível graças ao eufemismo: pedalada fiscal é crime? Ora… Basta experimentar a mesma questão com a expressão “fraude contábil”.

Mas esse não seria o único erro estratégico dos opositores aos governos petistas envolvendo nomenclaturas inadequadas. A Lava Jato, por exemplo, começou em 2008 investigando – como o próprio nome entrega – um lava jato. E colheria as provas muito lentamente até que, em abril de 2014, entraria na Petrobras. Quando foi conhecido o conteúdo da primeira delação bombástica, a de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, as redes sociais passaram a chamar o esquema investigado de Petrolão.

Sérgio Moro muito se esforçou para explicar às instâncias superiores, ou mesmo à imprensa, que em jogo não estava a saúde financeira da empresa, mas uma relação promíscua entre poder público e iniciativa privada, que não se restringia a uma estatal, ao país ou mesmo ao passado recente. Nada disso comoveu o STF, que abusou do argumento para tirar de Curitiba temas que não mostrassem ligação direta com a Petrobras. Desta forma, por exemplo, a roubalheira da Consist e os estragos no setor elétrico foram remetidos para São Paulo e Rio de Janeiro respectivamente.

Todavia, foi justo em depoimento à justiça fluminense que Otávio Marques de Azevedo deu detalhes da falcatrua até então pouco conhecidos. Segundo o ex-presidente da Andrade Gutierrez, o PT tinha por norma tomar 1% em propina dos projetos que conseguia para as empreiteiras que o financiava. E isso não dizia respeito a uma estatal específica, mas a todas as obras do Governo Federal.

Lembra ou não lembra o argumento de Moro?

De uma siderúrgica na Venezuela, Azevedo cita algo próximo dos R$ 15 milhões ao PT. De Belo Monte, dez vezes mais: R$ 150 milhões. Valores achacados apenas da Andrade Gutierrez.

Onde os números podem chegar? Só a primeira fase do PAC, por exemplo, consumiu mais de meio trilhão de reais. Ou seja: se de fato seguiu à risca a própria norma, o programa usado pelo petismo como vitrine para eleger Dilma superaria em no mínimo 5 vezes o bilhão em propinas.

Isso não é grave, é gravíssimo. E “Petrolão” soa um termo pequeno demais para simbolizar tamanha gravidade.

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