O total de novas fases da Lava Jato caiu a menos da metade no primeiro semestre de 2017 – politicas.info
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O total de novas fases da Lava Jato caiu a menos da metade no primeiro semestre de 2017

27/07/2015- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- Integrante da força-tarefa da Operação Lava-Jato, o procurador Deltan Dallagnol criticou, nesta segunda-feira, a demora do sistema judiciário brasileiro em julgar casos envolvendo crimes de corrupção. Em entrevista a jornalistas antes de participar de uma apresentação do projeto “10 medidas contra a corrupção”, iniciativa do Ministério Público Federal (MPF), Dallagnol afirmou que o modo de como a corrupção é punida no país “acaba se tornando uma piada”.

Desde 2014, a Lava Jato não iniciava um ano com tão pouca “PF nas ruas”

Foto: Vladimir Platonow/ Agência Brasil

O 27 de julho de 2017 amanheceu como outros 41 dias dos três anos anteriores: com mais uma fase da Lava Jato. Batizada de Cobra, a 42ª etapa desta longa operação encarcerou Aldemir Bendini, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, além de um dos nomes da maior confiança de Dilma Rousseff. Logo, parte das redes sociais foi tomada por vozes governistas negando qualquer tentativa de sufocamento da investigação por parte da gestão Temer. Ora… Se de fato forças ocultas estivessem atuando no intuito de calá-la, como a Polícia Federal estava novamente detendo autoridades tão poderosas?

Contudo, a cobertura política mais séria não chegou a decretar o fim dos trabalhos, mas o sufocamento deles. Afinal, em velocidade menor, muitos dos crimes apurados podem simplesmente prescreverem, o que seria de extremo interesse dos investigados. Um prazo maior é também visto com bons olhos em Brasília, afinal, haveria mais tempo para se caminhar com uma agenda que blinde os criminosos do assédio da Justiça.

Revisitando todas as fases já noticiadas, é possível confirmar que, de fato, o trabalha corre agora em marcha mais lenta. Só nos primeiros meses de atuação, a Lava Jato foi às ruas em quatro oportunidades. Em 2015, cada semestre viu sete novas etapas. O ano de 2016 seria o mais agitado, com 16 outras investidas. Mas algo aconteceu em 2017. Entre janeiro e junho, apenas a Blackout, Paralelo, Asfixia e Poço Seco viraram notícia. Um ano antes, os investigadores viviam o momento mais profuso, com um total de nove investidas.

Operação Lava Jato

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Sob a gestão Dilma, a Lava Jato surgia com uma nova fase a cada 28 dias. De janeiro a maio de 2016, quando a petista foi afastada, as fases encararam uma rotina quinzenal. Na gestão Temer, esse intervalo subiu para 33 dias, ou menos de uma operação por mês. Agora em 2017, tem sido uma nova etapa a cada 7 semanas.

Pode, claro, ser um sinal de que os trabalhos agora pendam mais para os tribunais, para as condenações e os recursos nas mais variadas instâncias. Mas todos os movimentos de bastidores contra as conquistas da investigação dão a essa leitura um tom ingênuo e até irresponsável.

Em outras palavras, é mais seguro apostar que o governo Temer vem conseguindo aquilo que o governo Dilma não conseguia: garantir a impunidade aos criminosos mais poderosos do país.

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Fonte: Polícia Federal

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