As maquiagens que Dilma fez no PIB para transformar uma mentira em “verdade” – politicas.info
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As maquiagens que Dilma fez no PIB para transformar uma mentira em “verdade”

Dilma Rousseff: presidente do Brasil

Os valores correntes na nova série ficaram em média 2,1% acima dos valores da série antiga. Para 2011, por exemplo, a história foi basicamente reescrita.

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O Brasil não deve mais entrar em recessão. Ao menos, não agora. É o que dá para se concluir dos números que o IBGE apresentou nesta quarta-feira, 11 de março. Mas, para isso, não foi (ou será) preciso desatar os nós econômicos frutos da política desastrosa implantada por Lula, Dilma e Mantega nos últimos 8 anos. Mais uma vez o governo coloca em prática o que ficou conhecido como “contabilidade criativa” para artificialmente inflar o crescimento do PIB no Brasil.

A versão oficial é bela e em muito se parece com uma verdade, o que faz com que a imprensa a divulgue sem questionamentos. Primeiro se diz que o lançamento da nova metodologia estava programado desde 2012. Depois, que é comum o IBGE revisar a base do cálculo do produto interno bruto brasileiro periodicamente. Por fim, que busca-se com isso apenas adequar o Brasil a padrões estrangeiros.

Sim, é verdade, o Estadão, em um furo publicado em 18 de setembro de 2012, já falava que o IBGE alteraria o cálculo do índice para o final de 2014 ou início de 2015. Mas, se era algo tão benéfico ao país, por que o instituto se negava a tratar do assunto?

O IBGE foi procurado pela reportagem e informado em detalhes sobre o teor da matéria, mas se negou a fazer qualquer comentário.

Também é verdade que, neste novo cálculo, incorpora-se as novas recomendações da ONU. E que outras duas grandes alterações como essas ocorreram em 1997 e 2007. Mas por que decidir repensar a metodologia exatamente no segundo semestre de 2012 quando o trabalho em uso mal tinha completado 5 anos de vida? Uma possível resposta vem na mesma matéria do Estadão:

[As mudanças] ocorrem no momento em que o País enfrenta o fantasma da desindustrialização e o investimento não decola, apesar dos esforços da presidente Dilma Rousseff.

São tantas as notícias consumidas diariamente que não é de se estranhar o esquecimento de algumas delas. O ano de 2012 fecharia com Dilma pedindo um “pibão” para 2013. A presidente desejava isso porque, naquela temporada, a economia brasileira cresceu um magérrimo por cento. E a preocupação nascera no inverno anterior, quando Dilma tentava se safar com um “PIB não é tudo” apenas 2 meses antes de o IBGE decidir alterar o cálculo.

Diante das evidências de que o crescimento econômico brasileiro neste ano não deve ficar muito acima de 2%, a presidente Dilma Rousseff procurou ontem minimizar a importância do PIB (Produto Interno Bruto), ressaltando que ele não é o indicador mais adequado para comparações internacionais.

(grifos nossos)

Começava ali uma pressão do Planalto em cima do IBGE para que os números apresentados soassem belos aos ouvidos da presidência. Essa pressão explodiria quase 2 anos depois interrompendo pesquisas e findando numa greve que privaria os brasileiros de informações relevantes para os debates ocorridos nas eleições de 2014:

Em 10 de abril de 2014, a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, anunciou a suspensão das divulgações seguintes da Pnad Contínua com objetivo de fazer uma revisão na metodologia de coleta e cálculo da renda domiciliar per capita pela pesquisa. Motivada por questionamentos dos senadores Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Armando Monteiro (PTB-PE), a decisão levantou suspeitas de ingerência política no órgão, desencadeando uma reação imediata do corpo técnico do instituto. Duas diretoras pediram exoneração e coordenadores ameaçaram uma entrega coletiva de cargos caso as divulgações não fossem retomadas. Em 26 de maio do ano passado, servidores do IBGE entraram em greve, que se estendeu até 13 de agosto, prejudicando a divulgação de pesquisas como a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que publica mensalmente a taxa de desemprego para as seis maiores regiões metropolitanas do País, e da própria Pnad Contínua.

(grifos nossos)

Dentro da nova metodologia, os números surgem bem inflados. O cálculo já foi refeito para o período que vai do ano 2000 a 2011. Os valores correntes na nova série ficaram em média 2,1% acima dos valores da série antiga. Para 2011, por exemplo, a história foi basicamente reescrita e o Brasil não mais cresceu 2,7%, mas 3,9%. Os números mais recentes, que incluem o ano de 2014, só serão conhecidos em 27 de março. Isso representa um mês de atraso em relação a anos anteriores, quando o PIB era divulgado no final de fevereiro. Desta forma, o governo evita que se divulgue que o país vem tendo um crescimento negativo, ou basicamente uma recessão.

Quando se considera que o PIB Real nasce da subtração da inflação do crescimento econômico, pode se concluir que a maquiagem é muito maior do que se imagina. Afinal, o governo passou os últimos anos segurando o preço dos combustíveis e tarifas de transporte, com direito até a desconto nas tarifas energéticas. Chegou-se a cogitar a retirada do tomate dos produtos calculados apenas para reduzir o impacto do índice. Tudo com o objetivo de não estourar o teto da meta da inflação (que encontra-se estourado). Ou seja: se o governo maquia menos os resultados, nem mesmo essa remodelagem trazida pelo IBGE seria capaz de evitar a apresentação de um saldo negativo no final deste mês.

Foi com a constante pregação de números ligados ao produto interno bruto que Lula convenceu o brasileiro a eleger Dilma. Foi com a exposição dos também questionáveis números ligados ao desemprego que Dilma conseguiu se reeleger. Toda essa contabilidade criativa tem um único objetivo: propaganda política. É a mentira que, ao modo nazista, se repete até virar verdade. Em setembro de 2012, poucos acreditaram que o IBGE agia com independência ao decidir alterar metodologia em uso. Em março de 2015, após tanta repetição da mesma versão, poucos lembram de duvidar do que o instituto apresenta.

Originalmente publicado em:
As maquiagens que Dilma fez no PIB para transformar uma mentira em “verdade”

Referências utilizadas

  1. Estadão
    IBGE muda cálculo do PIB e investimento sobe
    18 de setembro de 2012
  2. Folha
    Com economia em marcha lenta, Dilma diz que PIB não é tudo
    13 de julho de 2012
  3. O Globo
    Dilma diz que quer de Natal ‘um Pibão grandão’ para 2013
    20 de dezembro de 2012
  4. O Globo
    Técnicos do governo estudam tirar alimentos do cálculo da inflação
    23 de abril de 2014
  5. Estadão
    Brasileiro ganhou em média R$ 1.052 por mês em 2014, diz IBGE
    26 de fevereiro de 2015
  6. G1
    Em 2011, PIB da nova série cresceu 3,9%, diz IBGE
    11 de março de 2015

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