Pelo visto, Joaquim Barbosa ignorou que o Brasil já teve um presidente negro: Nilo Peçanha – politicas.info
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Pelo visto, Joaquim Barbosa ignorou que o Brasil já teve um presidente negro: Nilo Peçanha

Foto oficial de Nilo Peçanha, presidente do Brasil entre 1909 e 1910

O primeiro presidente negro do Brasil precisou negar as origens africanas mascarando o tom da pele com maquiagem

Foto: Governo do Brasil

Em coluna para a Folha de S.Paulo, Monica Bergamo deu publicidade aos movimentos para fazer de Joaquim Barbosa candidato a presidente – ou a vice – em 2018. Apesar de todo o desgaste no julgamento do Mensalão, a iniciativa partiu de siglas esquerdistas, como REDE, PSB e até PT. Mas as aspas mais polêmicas vieram de uma reunião com a classe artística psolista do Rio de Janeiro. Em dado momento e ainda hesitante, o ex-presidente do STF mandou a questão: “Será que o Brasil está preparado para ter um presidente negro?

Ao que tudo indica, Barbosa ignorou que o Brasil já teve um presidente negro. Nascido na periferia de Campos de Goytacazes, Nilo Peçanha veio ao mundo como filho de Joaquina Anália de Sá Freire e seu Sebastião da Padaria. Formado em direito, atuou como jornalista e ferrenho defensor do abolicionismo. Com o fim da monarquia, participou da Assembleia Nacional Constituinte em 1890, cumpriria dois mandatos como deputado estadual, entre 1891 e 1903, até se tornar presidente do Estado do Rio de Janeiro.

Três anos depois, foi eleito vice-presidente do Brasil na chapa de Afonso Pena, e em 1909 chegaria à Presidência após a morte do titular. Por 17 meses, comandou o país sob o lema “paz e amor”.

Sua agitada vida pública não se concluiu ali. Na década seguinte, conquistou uma vaga no Senado e, após dois anos, voltou a comandar o Rio de Janeiro. Em 1922, tentou novamente a Presidência da República. Numa campanha corajosa, o fluminense peitou a hegemonia paulista e mineira à frente de uma coligação que também representava Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Mas seria derrotado por Artur Bernardes, natural de Minas Gerais.

Nada disso implica numa atuação tranquila do primeiro negro a presidir o Brasil. O racismo era, sim, forte. No jogo político, charges não poupavam o fato de Peçanha ser mulato. Em resposta aos ataques, o presidente negava as origens africanas e pesava a mão na maquiagem para surgir mais claro nos poucos registros fotográficos da época. Na foto oficial, por exemplo, a revelação estourada apresenta mais um presidente branco à história.

Nilo Peçanha faleceu em 1924, aos 56 anos. É tido até hoje como o maior estadista a comandar os fluminenses. A classe artística local pode ter contato com o acervo do conterrâneo no Museu da República, antigo Palácio do Catete. Em São Paulo, o Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, também possui registros de figura tão importante para a história do país.

Fonte: Museu Afro Brasil

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