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Lida hoje, a carta que “elegeu” Lula em 2002 não passa de um histórico estelionato eleitoral

Presidente Lula discursa durante sua visita a sede provisória da Unidade Acadêmica de Garanhuns da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

O texto chegava a afirma que o Brasil não suportaria mais uma década perdida

Garanhuns/PE, 03.08.2005 - Imagem: Ricardo Stuckert

Era 22 de junho de 2002 quando Lula aproveitou um encontro do PT para ler o texto que acalmaria o mercado financeiro, até então temeroso de um calote na dívida externa. Desde então, entende-se aquelas palavras como a estratégia que tirou a Presidência de José Serra. Catorze anos depois, todavia, percebe-se que tudo não passou de mais uma propaganda enganosa.

Porque a desfaçatez petista já começa no título, uma vez que o documento, destinado a empresários e investidores, foi chamado de “Carta ao Povo Brasileiro”. E, mesmo fingindo dialogar com a população, se vê no direito de falar em nome dela sem citar qualquer tipo de fonte que justifique as afirmações.

Antes de o PT dividir o país em “opressores” e “oprimidos”, o texto fala em “pacificar” o Brasil. Antes de o PT dar continuidade ao Plano Real até a crise de 2008, defende que “há em nosso país uma poderosa vontade popular de encerrar o atual ciclo econômico e político“. Antes de o PT protagonizar dois dos maiores esquemas de corrupção da história, o petismo reclama que “a corrupção continua alta“. Antes de levar a sociedade a suportar 60 mil assassinatos por ano, o texto reclama que “a insegurança tornou-se assustadora“.

O governo que compraria voto de parlamentares com dinheiro vivo e nomearia centenas de ministros para ter as vontades feitas promete que o “novo modelo não poderá ser produto de decisões unilaterais do governo“, mas que seria “fruto de uma ampla negociação nacional“.

Depois de toda a firula para a plateia, finalmente é dito o que o mercado financeiro queria ouvir, e é prometido que a “premissa dessa transição será naturalmente o respeito aos contratos e obrigações do país. Mas logo o PT volta a tentar emplacar uma “narrativa”, e culpa FHC pelo receio que os investidores sentiam de uma vitória de Lula. Para isso, alega que seria “o enorme endividamento público acumulado no governo Fernando Henrique Cardoso que preocupa os investidores” e que, “por mais que o governo insista, o nervosismo dos mercados e a especulação dos últimos dias não nascem das eleições“.

O mesmo petismo que, para reeleger Dilma Rousseff, esconderia a recessão vivida pelo Brasil de 2014 reclama — com certa razão — que FHC escondeu dos eleitores em 1998 “que o real estava artificialmente valorizado e de que o país estava sujeito a um ataque especulativo de proporções inéditas“. O partido que estouraria as metas inflacionárias no governo Dilma reafirmava o “compromisso histórico com o combate à inflação“. A sigla que deixaria o poder com quase 12 milhões de desempregados comprometia-se com “a geração de empregos“. Aquela que legaria à gestão Temer um déficit de meio trilhão de reais prometia “preservar o superávit primário o quanto for necessário para impedir que a dívida interna aumente e destrua a confiança na capacidade do governo de honrar os seus compromissos“.

Já encerrando o estelionato, Lula concluía afirmando que “o país não suporta mais conviver com a idéia de uma terceira década perdida“. O que não deixa ser a mais amarga das ironias, já que a atual crise começa com erros cometidos para fazer de Dilma Rousseff presidente em 2010, e não há de arrefecer por completo antes de 2019, quando as contas públicas finalmente voltarão ao positivo.

O PT chegou à Presidência da República por intermédio de um discurso intelectualmente desonesto. Não à toa, foi chutado do poder com uma carta igualmente mentirosa.

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Fonte: Folha de S.Paulo

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