As reuniões secretas que, lá fora, tentavam enfraquecer a Lava Jato – politicas.info
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As reuniões secretas que, lá fora, tentavam enfraquecer a Lava Jato

Enquanto a Lava Jato se aproximava, o governo Dilma realizada reuniões suspeitas fora do país

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Desde que a Lava Jato tomou para si o protagonismo do noticiário, várias reuniões secretas entre autoridades brasileiras foram noticiadas com mais ou menos detalhes. Três delas, justo as que renderam mais manchetes, chamam atenção até hoje pela repetição de personagens. A saber:

México: Dilma Rousseff e Marcelo Odebrecht

Em maio de 2015, Dilma Rousseff encontrou-se por duas vezes com Marcelo Odebrecht no México. Questionada, a presidente negaria que a Lava Jato teria sido a pauta do encontro. Um ano depois, em entrevista à Folha, repetiria que o tema da reunião fora os negócios do Grupo Odebrecht:

“Recordo que encontrei o Marcelo Odebrecht no México, o maior investimento privado do país é da Odebrecht com um sócio de lá. Conversamos a respeito do negócio, ele queria que déssemos um apoio maior. Uma conversa absolutamente padrão do Marcelo.”

Contudo, em delação premiada negociada com a própria operação, Marcelo Odebrecht confirmaria que não só a Lava Jato seria o tema central da conversa, mas o objetivo do empreiteiro era alertar a presidente do perigo que corriam. Na sequência, o empresário seria preso e, por ao menos três vezes, Dilma tentaria tirá-lo da cadeia.

Em abril de 2017, já cassada, a ex-presidente daria uma versão diferente: “Não entendi patavina do que ele falava. ‘Niente’.

Portugal: Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo e Ricardo Lewandowski

As investidas de Dilma contra a Lava Jato foram narradas por Delcídio do Amaral em delação premiada. A primeira delas ocorreu em Portugal, em encontro revelado por Gerson Camarotti no G1. Cardozo, de cara, negou que a Lava Jato tenha sido discutida na reunião. Alegaram que aproveitaram a estadia na Europa para discutirem o reajuste do Judiciário.

Na própria delação, Delcídio entregou que o “reajuste” não passou de uma desculpa para esconder que não só discutiam a operação Lava Jato, como queriam do STF uma força para tirar Marcelo Odebrecht da cadeia. Mas a dupla Dilma/Cardozo só lograria algum sucesso ao nomear Marcelo Navarro ao STJ.

Argentina: José Eduardo Cardoso e Rodrigo Janot

Não era a primeira vez que José Eduardo Cardozo tinha encontros secretos com autoridades fora do país. Em novembro de 2014, o ainda ministro da Justiça encontrou-se com Rodrigo Janot em Buenos Aires. Três dias depois, procuradores desembarcariam na Suíça atrás de contas que foram usadas pela Odebrecht para pagar Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras.

A dupla ainda teria um segundo encontro fora da agenda, desta vez em fevereiro de 2015, mas no Brasil, no próprio gabinete do PGR. Dias depois, Janot apresentaria ao país uma lista com todas as autoridades contra as quais encontrara sólidas desconfianças de participação no Petrolão.

Ambos negaram que o tema dos encontros tenha sido a Lava Jato. E, diferentemente dos outros casos, nenhum delator surgiu desmentindo-os. Mas não seria uma missão fácil, uma vez que é o próprio Janot quem negocia os acordos de colaboração com a Justiça.

Quanto a José Eduardo Cardozo, trabalhou como advogado de Dilma no julgamento do impeachment no Senado.

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